Para além da direita e da esquerda

Corriqueiramente quando o assunto é a situação econômica e política de nosso país vejo o discurso enviesado pelas tendências idealistas que perduraram durante os séculos entre os grandes estadistas.
Tudo é muito mecânico. Se o discurso parte de jovens entusiastas as palavras socialismo, comunismo ou Marx certamente vão surgir. Então toda a conversa se polariza na dicotomia direita versos esquerda, classe patronal versos proletariado.Como se toda a estrutura social e econômica e porque não subjetiva que interferem no dia a dia da população, pudessem ser reduzidos a isso.
Não é meu interesse denegrir a imagem, nem minorar o pensamento dos que assim pensam, até porque dentre os que pensam assim estão meus grandes amigos e pessoas que me são fonte de inspiração intelectual.
O que quero é chamar a atenção para algo mais emergente na análise ou criação de qualquer modelo que tente explicar ou criar solução para os problemas atuais.
Atrás de qualquer um desses idealismos tanto de direita quanto de esquerda estão a concepção reificada do estado e da instituição regular. Como se ele de fato fosse algo autônomo, imune das influências de suas partes e soberano para elas influênciar. Ora atribuir às instituições um poder e imunidade que elas não tem, é o mesmo que se fazia no passado à religião para dominar e submeter o homem. Pensar assim é também minorar a autonomia individual humana.
As instituições, bem como toda organização estatal são criações humanas, subjetivas e simbólicas. São os interesses de suas partes mais fortes que perduram e dão vigor a sua ação, mesmo quando esta ação é sem sentido algum, como as que prevalecem nos órgãos burocráticos do estado.
Talvez seja mais complicado entender o estado ou uma sociedade a partir do conteúdo e modelo subjetivo de seus indivíduos e como este é modelado pela cultura e seu paradigma. É complicado, mas é mais realista que acreditar que as leis podem dizer o que cada individuo deve ou não pensar, como ele deve encarar e dar signifacado a cada experiência que vivência para a partir daí poder tomar a melhor atitude.
Ninguém muda a auto-estima de uma pessoa por regulamentação. E independente da forma como o capital é dividido ou administrado um individuo cujo modelo cognitivo somente se concebe como submetido ao comando de outrem será sempre assim. Seja pelo comando de Bush ou de Stalin.
Muitas vezes enquanto formava está minha opinião eu era rebatido pela cansativo jargão: de barriga vazia ninguém pode pensar. Não quero discutir ele pois teria que levar meu discurso para outros brados que não o que proponho agora. Gostaria apenas de colocar que muito da fome que temos hoje vem não da falta de tecnologia para produzir alimento ou da disponibilidade da industria para dispô-la, mas do desperdício que acontece por toda parte, e grande maioria nas classes mais baixas.Poderia falar mais sobre isso, mas acredito que já deixei pistas suficientes para uma mente crítica.
Devemos entender como pensam os que em nossa sociedade atual estão em situações complicadas comparando seus modelos cognitivos dos que encontram-se ou se acham em boa situação, para a partir daí traçarmos nosso projeto não de instituição ou de estado, menos ainda de legislação, mas de instrução e esclarecimento, focando sempre no desencantamento do status quo das instituições subjetivas que os mantém presos. Mostrar que a verdade e a realidade são construídas pelo homem e a ele devem se adequar, para que possam esses desprivilegiados tomar parte ativa em seu papel de constituinte do todo que se chama humanidade. É isso.


Abraços

Comentários

  1. Este texto escrito a mais de três anos, mostra minha critica as instituções ideologicas que vão para além do homem.
    Mas também o texto ignora o poder de qualidades humanas que vão além do poder dos modelos cognitivos tais como a empatia.

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