MULTI, INTER E TRANSPROFISSIONAL

Na saúde e na Assitencia Social

Trabalhar em equipe é um desafio, quando a equipe é formada por profissionais de diversas áreas do saber é um desafio ainda maior.

É incontestável que quando temos profissionais de várias disciplinas olhando para um mesmo sujeito, sua compreensão tem muito para ser mais completa e, por conseguinte a intervenção ser mais assertiva. Contudo são métodos e linguagens diferentes, que só podem ser articulados dentro de um paradigma que sustente a troca ou a inter-relação eficiente dos saberes e quando o objetivo final é sempre o foco nas interações.

Antes de falarmos da equipe com profissionais de várias disciplinas temos que falar da equipe com várias pessoas, independente de suas formações.

Pessoas diferentes pensam diferente e sempre trazem a tona  suas singulares experiências de vida que podem interferir de forma positiva ou negativa no grupo. Além disso, mesmo os profissionaisfalando o mesmo dialeto, podem ser incomunicáveis se os canais de comunicação não forem limpos de ruídos.

O caráter e a maturidade emocional dos membros também interferem na equipe. É bastante complicada a troca de informações dos atendimentos quando os sentimentos dos profissionais não são bem resolvidos e interferem intermitentemente na dinâmica da equipe. Freud colaborou muito no trabalho com pessoas quando descobriu a transferência e a contratransferência.

A grosso modo, há transferencia quando uma pessoa ou paciente transfere ao profissional com quem lida suas características. A contra partida desse comportamento, por parte do profissional depende de sua maturidade emocional ou profissional e é chamada de contra transferencia. A contratransferencia pode ser entendida como a resposta emitida pelo profissional ao paciente ou pessoa que transfere a ele seus sentimentos, formas de funcionar.


Em minha experiência como psicólogo já pude experimentar extremos de pena e de raiva em um mesmo atendimento. Isso é normal, e pensar esses sentimentos que me tomam, é muito positivo para entender o interlocutor. Agora me deixar levar por esses sentimentos é deixar me perder em um oceano infinito sem bussola ou GPS.

Quando esse sentimento que é do profissional e não do cliente, é levado para a equipe como uma verdade ou um dado a ser considerado como está e não pensado, o que acontece é uma sucessão de erros e imprecisão, cheia de achismos e relativismos pessoais. Pois se refere a uma experiência singular do profissional que muito dificilmente pode existir fora dele.

Por outro lado, quando ele por sua maturidade sabe o que é seu e o que é do interlocutor, quando é capaz de pensar o que é seu, olhando de fora do turbilhão de seus sentimentos, ele tem em mãos uma experiência  rica e que pode muito colaborar com a equipe.

Considerando uma equipe madura e com profissionais éticos de áreas diferentes podemos ter três níveis de interação entre eles, cuja gradação se refere à eficiência da compreensão e das intervenções.

As equipes podem ser as seguintes, segundo os níveis de interação das disciplinas:

Multiprofissional: quando existem profissionais de diversas disciplinas atendendo ou não um mesmo individuo. As trocas entre essas disciplinas são limitadas a informações pontuais e não interferem no trabalho dos demais que estão fechados em seu nicho profissional.

Interprofissional: neste caso os profissionais trocam entre si segundo suas disciplinas e essas trocas interferem no trabalho dos outros profissionais a medida que amplia a compreensão do cliente entre eles.

Transprofissional: Este é o mais alto nível de interação entre os profissionais de uma equipe. Podemos dizer que a interação é tanta que não mais existem diferenças entre a atuação dos profissionais a não ser as que são dadas pelas resoluções de classe. O entendimento se dá pelo individuo e as disciplina apenas colaboram a medida que transpassam todo atendimento. Os profissionais conhecem por conta de suas trocas constantes e efetivas as percepções uns dos outros, bem como as ferramentas mais adequadas para a intervenção. Ao final o que se tem é uma compreensão singular e completa do cliente.

Como se pode ver, para todos esses níveis a maturidade deve ser o tom que deve afinar todos os relacionamentos da equipe.



Comentários

  1. E a maturidade, creio eu, vem para aqueles que se abrem para compreender o que é diferente do que acredita, que se permitem experimentar, que reconhecem o errar, e refletem, refletem o que já havia refletido anteriormente.

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