E peço ao balconista minha mãe

Meu pai era muito forte,

Amava-o, mas não podia suportá-lo.

Seu jeito de olhar, seu tom de voz me sufocavam e me faziam sentir medo.

Suas criticas me geravam culpas,

Culpas, que em minha pequenez não sabia administrar,

Culpas, que transformavam as pessoas a minha volta em juízes, os quais precisava convencer a meu favor.

Minha mãe, nunca enfrentou meu pai. 

E eu também não.

E sei que ela o temia muito.

Ela me protegia.

Me fazia esquecer toda culpa e também toda a realidade que me oprimia tanto, quando eu era tão frágil.

Me alegrava e me fazia sentir gente, quando me ouvia falar, o que nem sabia bem o que.

Quando estava em seu colo, podia sentir como em seu útero nadando no calor e na fluidez do líquido amniótico.

Hoje meus pais não existem mais.

Ainda me sinto oprimido pela culpa de tudo que faço, quando sinto os olhos do meu pai em minha memória a me punir e a me julgar.

Sem ninguém para me proteger,

Procuro minha mãe para me fazer esquecer a dureza da realidade que não pude apreender enfrentar.

Mas não a encontro.

Procuro-a para me ouvir falar besteiras e me sentir acolhido,
Mas ela não está por perto.

Procuro-a também para não ter que enfrentar o dia a dia,

Que me é duro, pois nunca aprendi enfrentar,

Do mesmo modo não a encontro.

Vou ao bar,

E peço ao balconista minha mãe.

Ele enche o copo e trago para dentro o líquido que me aquece.

Faço-me ouvir,

Esqueço meus fracassos,

Fujo de meu pai,

E passo a ser tão espontâneo quanto uma criança.

Tão, que durmo como um feto em qualquer lugar.

Mas acordo mau,

E deprimido por estar novamente sozinho.

Comentários

  1. Acredito que todos nós temos um pouco deste buscar sem saber onde encontrar, mas acredito tb que existem pessoas boas, capacitadas e dispostas a ajudar na superação de tais conflitos que existem dentro de cada um de nós. Eu tive síndrome do pânico e depressão e não sabia o que estava acontecendo comigo, já que eu era muito ativa no meu dia-a-dia e de repente eu passava o dia cansada e não produzia o que de fato gostaria durante o dia.tratei com vários especialistas até que um dia uma reumatologista me disse que as dores que eu sentia não era só problema na minha coluna mas uma doença pouco conhecida pelos médicos que era a fibromialgia e que os sintomas que eu apresentava indicava para isso e ela me deu um folheto explicativo da mesma e pude ver que realmente batia com os meus sintomas e indicou-me uns exercícios que me ajudariam a combater as dores e a procurar um psiquiátra. Foi quando minha tia indicou o dr. Renato Marchi e hoje estou curada da síndrome do pânico e o quadro da depressão já está amenizado, eu ainda preciso dos remédios para as dores e para a depressão, mas acredito tb que se não fosse pela dedicação, profissionalismo, carinho, cuidado e atenção que o dr. Renato Marchi tem para com seus pacientes, eu não teria conseguido concluir o meu curso de Pedagogia e muito menos sentada aqui para expressar a minha opinião, pensar em sala de aula; talvez eu não estivesse nem andando mais; pois, no começo do tratamento com ele eu levantava da cama e deitava no sofá e assim eu passava os dias, as semanas, até que eu consegui me levantar e hoje eu sou catequista no Bairro onde moro, faço curso de artesanatos que é uma terapia indicada pelo dr. e que eu descobri gostar muito de artesanatos, penso em um futuro melhor,sou feliz e meus filhos estão felizes tb. Agradeço a Deus por ter colocado o dr. Renato Marchi na minha vida e na vida de tantos pacientes que precisam dele.Eu acredito que nem ele sabe de tamanha importância que ele representa a seus pacientes, mas eu posso falar por ser uma delas e pelo relato de tantos outros pacientes dele.

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