Quem está sendo o mostro: o crack ou a sociedade?





Falar em crack parece ser a grande panaceia dos problemas sociais do momento.
Com a ascensão de grande número de brasileiros à classe social mais favorecida nos últimos 8 anos, uma parcela da população ficou de fora da ajuda do estado, por não ter documentos, endereço, vínculos familiares. Isso criou um distanciamento ainda maior entre a população desfavorecida economicamente e o restante da sociedade que passou a fazer viagens aéreas, ter celular, IPod, Smartphone, carro etc.
Esse deslocamento social favoreceu o distanciamento/segregação, que se tornou ainda mais intolerável à vida daqueles que não conseguiam se ver como pessoa, cujo o fardo do fracasso imposto pelos padrões sociais pesava fortemente às costas. Para estas angustias não resta mais nada do que a alienação, seja da loucura induzida pelas tensões interiores ou pelo uso de drogas.
Considerando a popularização de uma nova forma da cocaína, mais barata e fácil de usar: o crack, observamos pela cidade, cada vez mais, retratos das mazelas humanas. A droga para essas pessoas não é uma doença como querem nos fazer acreditar, mas a anestesia de um sintoma da nossa indiferença, egoísmo e o desejo desenfreado de ser a todo custo mais que o outro.
Com a proximidade das Olimpíadas e Copa do Mundo, para não dizer em época de Campanha Eleitoral, surgem medidas extremas para fazer sumir dos olhos, por exemplo, as pessoas em situação de rua, que representam os sintomas da falta de investimento em moradia digna, saúde, educação. Isso é fortemente influenciado pela desintegração dos valores dos colarinhos brancos da política que assistimos nos telejornais.
As medidas para solucionar esses problemas ou para a “limpeza” deles acabam sendo as velhas fórmulas da segregação e da culpabilização do pobre e do miserável. Ao invés de investir em políticas públicas eficientes tem sido mais fácil usar jatos de água, spray pimenta e balas de borracha além de internações completamente descompromissadas com um projeto terapêutico para o individuo, focada muito mais em valores ideológicos do que na dignidade do sujeito.
É preciso estar atento para não se deixar seduzir por soluções simplistas que nos dão a impressão de resolver os problemas, mas que os varrem para debaixo do tapete criando monstros que mais tarde nos assombrarão.
As drogas sempre fizeram parte da história da humanidade, mas é só quando a realidade se torna intolerável que nos aproximamos mais dela em uma relação de dependência. Se, alienar-se tem sido mais atraente do que ficar sóbrio, precisamos ver o que está acontecendo com esse mundo e não deixarmos de lutar por um mundo melhor para TODOS!


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