Quebraram os manicômios com os livros de Foucault e prenderam seus residentes nas páginas de Lacan


A reforma psiquiátrica já é uma realidade, a despeito das pequenas resistências que encontramos em alguns setores. Contudo tal reforma é também uma mudança de paradigma e deve operar sobre as convicções e formas de agir da sociedade e principalmente nos profissionais da saúde mental.

Tirarmos as pessoas dos hospícios, onde eram amontoadas, judiadas e tendo sua situação psiquiátrica e condição de vida piorada, mas as colocamos nas ruas ou então, sem dar condições para as famílias, nem trabalhadas as questões da reforma psiquiátrica com seus visinhos, fazemos destes indivíduos um incomodo ou estorvo para as pessoas a sua volta. E ainda, com as drogas tão próximas do cotidiano os transformamos em zumbis pelas ruas da cidade.

Não quero com isso, dizer para sair a reforma psiquiátrica e voltar os manicômios, mas que entre nas cabeças a reforma de verdade e saiam os manicômios que tanto interferem nas formas de agir e pensar.

Nos serviços de saúde mental existem muito profissionais sérios e competentes, mas também muito discurso, muito sofisma e intervenções estéreis e que mais servem ao ritual de lavar a mãos de qualquer responsabilidade do que a uma ajuda efetiva.

Algumas vezes com a desculpa de respeitar o momento do usuário, desrespeitam também um entendimento mais profundo de seu sofrimento, suas dificuldades de expressar ou mesmo saber sua verdadeira vontade. Esses usuários da saúde mental tem  sim o direito a autonomia, de decidir e participar da construção de seu tratamento e projeto de vida, mas deve ser observados também a função do profissional de ajudá-la a entrar em contato com suas verdadeiras vontades. Não, dizendo para estes quais são suas vontades, mas com o instrumental técnico iluminar, dissolver ou driblar as correntes que os aprisionam na escuridão de sua própria personalidade.

São pessoas que sofrem, e na maioria das vezes não aprenderam a pedir ajuda, não porque sejam incapazes, mas porque não tiveram a oportunidade e estimulo ao desenvolvimento da sua auto percepção. E por protocolo e fluxos os serviços ritualizam suas intervenções.

Por de traz de muitos academicismos encontramos uma dificuldade imensa de entrar em contato com o outro, principalmente com aquela região mais sofrida e escura.

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