Escola: Deposito de Gente?

     Ouvi por esses dias de uma diretora, preocupada por conta do comportamento de um de seus alunos, “que a escola não era um deposito de gente”, por isso iria dispensar esse aluno duas horas mais cedo e assim seria até que ele melhorasse seu comportamento e rendimento escolar. A justificativa além do comportamento que a escola não conseguia controlar era o rendimento escolar, entendendo esse de acordo com os critérios da diretora ou dos profissionais daquela escola. Contradizendo o papel da escola na educação em seu sentido mais amplo, como preconiza os marcos históricos da Educação em nossa legislação.


     Em certo momento foi evocado, como argumento de autoridade, seus anos de experiência na educação. Estava ai! Com tantos anos de experiência talvez ela não tenha se preocupado em se atualizar e quando de sua formação enquanto educadora talvez não existisse o ECA, não se ouvia falar da UNESCO e nem dos direitos humanos. Muito menos das Leis de Diretrizes e Bases da Educação.


     Ora é função da escola a educação integral e se ela não dá conta de um aluno deveria rever a formação de seus profissionais e suas estratégias metodológicas. Não é por que um aluno não apresenta um comportamento esperado e um resultado acadêmico que ele deve ser excluído. Antes deve ser pensado o aluno em sua singularidade e em sua formação integral e depois revistos os processos da própria escola e como eles estão a serviço de uma educação mais global. A estratégia de excluir o aluno enquanto ele não apresentar os resultado de acordo com os critérios da diretora é outorgar a uma mãe leiga ou a uma baba a função universal da escola.

     Talvez seja por isso que algumas as escolas sejam realmente deposito de gente, e não um local de formação de pessoas. A escola não seria um deposito de gente se seus processos fossem humanizados e respeitadas as singularidades dos alunos. E não quero dizer que a escola deva, contudo ter dentro de seus portões todos os tipos de problemas que não são de sua alçada, mas que ela deva apreender a fazer uso da rede socioassistencial (as reuniões intersetoriais servem para isso pena que as escolas tenham tão tímida participação), que não deve ser usada para empurrar o problema mas para complementar a solução dele.


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