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Centro de tratamento para o Crack e a Assistência social.

Durante a campanha eleitoral vi algumas ideias sobre a criação de um centro de tratamento para o Crack. Fiquei imaginando quem a gente iria colocar lá. Colorar-se-iam lá dentro essa sociedade doente em que vivemos que produz a necessidade do prazer e da alienação ou se colocarão lá dentro as famílias disfuncionais (não estou dizendo que existe um padrão de família: pode ser de dois pais, de duas mães, de tios ou de avós, digo funcional considerando que ela cumpra a sua função de oferecer o necessário para o cuidado e o desenvolvimento das pessoas), os abusadores, ou ainda se colocaríamos nesse centro de tratamento a fome, o desemprego ou a falta de moradia para lá se tratar. É fácil, embora caro e ineficiente isolar o sujeito que pode estar sendo vitima ou sintoma do problema, mesmo que em algum momento esse problema tenha sido gerado por sua escolha. Contudo é mais difícil, embora mais barato e eficiente cuidar das pessoas respeitando o seu jeito de ser, sua cultura, territóri...

Porque Precisamos Investir na Assistência Social

Porque devemos investir em Assistência Social ? Devemos investir em Assistência Social porque é ela responsável pela garantia dos direitos básicos de toda pessoa a despeito da diferença de idade, gênero, opção sexual, raça e etc.. Porque sem a Assistência Social as outras políticas se tornam ineficientes e muitas vezes incapazes operar: Uma criança que não tem acesso ao direito básico da alimentação e ou que é vitima de violência não consegue ter boa adesão à escola, não frequenta eventos culturais, não pratica esporte, e gera grande demanda aos serviços de saúde, visto que é provável que tenha quadros de desnutrição, baixa imunidade e seja mais vulnerável a outras doenças, frequentando mais vezes os serviços de saúde sem conseguir obter resultados satisfatórios, visto que as causas dos problemas não foram resolvidas. Uma mulher vítima da violência de gênero, também demanda mais da saúde, mais da segurança pública e terá dificuldade de ter acesso a outras políticas públicas...

Drogas e Direitos Humanos

Amigos Gostaria de poder contar com a ajuda de vocês para a uma questão muito importante que estamos vivendo neste momento. A questão das Drogas e dos Direitos Humanos. À custa de um discurso eleitoral, ideologia higienistas ou mesmo ignorância nossa sociedade tem deixado regredir nossos valores mais caros. O uso abusivo de drogas é um problema sério, que assola a família e a nossa sociedade. Colocando em risco a saúde e a segurança de nossos, filhos, irmãos, amigos e vizinhos. Mas a drogadição é antes uma doença que gera sofrimento primeiro e de forma mais intensa no drogadito. E embora doente ele, é uma pessoa, com uma historia, sentimento, sujeito de direito e de respeito dos demais. No desespero de querer ajudar, ou de mostrar serviço em época eleitoral, ou ainda limpar as cidades para os gringos de 2014 esses sujeitos doentes estão tendo seus direitos violados sendo vitimas de práticas que o tempo e pesquisas cientificas provaram não ter efeito. O uso da polícia contr...

Drogas: Polícia, Educação, Saúde ou Assistência?

   O garoto sofre violência domestica e não é atendido por nenhum serviço. Mora do lado de um CRAS – Centro de Referencia da Assistência Social e nunca recebeu qualquer tipo de assistência. Até porque lá a NOB-RH / SUAS - Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência não é cumprida. Os Profissionais não receberam capacitação e o psicólogo lá, não sei por que, faz Clínica e não atendimento psicossocial. O PAEFI que é um serviço de proteção e atendimento especializado a famílias e indivíduos, é terceirizado para uma ONG que não faz o que deveria fazer e tem fila de espera para atendimento.    A polícia, nada amiga, matou seu melhor amigo por acidente. Quem manda no seu bairro é o tráfico, em sua rua tem duas ou três biqueiras de venda de drogas.   Na escola, os problemas de casa povoando sua cabeça, tornam insuportável às quatros horas sentado ouvindo uma professora sem criatividade expor o quadrado da hipotenusa.   Até tem tel...

Mora na rua, não porque não tem casa, mas porque não cabe nela.

A população em situação de rua cresce no mesmo nível que nossa sociedade se torna complexa. Quem não suporta, ou se adapta a essa complexidade acaba por viver a margem dela. Quando morávamos nas cavernas, quem tinha medo de locais escuros e fechados tinha que se sujeitar a ficar nas intempéries do tempo. Desde o começo quem não caçava não comia a não ser que sujeitasse a generosidade de um caçador. Com o tempo foram cabendo outras habilidades e o dinheiro serviu como cambio para as trocas. Um não sabia caçar, mas sabia cozer o alimento muito bem, assim os dois comiam. Conforme fomos complicando nossa sociedade nem todo mundo pode se adaptar a ela para oferecer algo que tenha valor (segundo os critérios que foram sendo estabelecidos) suficiente para lhe garantir uma autonomia. O trabalho intelectual passou a ser valorizado de tal forma que quem era capaz de desenvolve-lo passou a ter muito mais do que precisava em muitos casos. E o que não era capaz, mesmo tendo varias outras habilida...

Dependente Químico ou Social

Não tenho duvida que as drogas, entre elas o álcool, são substancias que alteram profundamente a forma de funcionar do Sistema Nervoso Central. Que sua ausência, depois de um bom tempo de consumo frequente causa grande desequilíbrio e incomodo no organismo. Contudo tenho observado pessoas que passam dias sem usar a droga, meses, até anos, mas quando experimentam alguma situação emocional fora do basal para eles a droga sempre vem e bate forte. Quando acontece algo que os deixa muito alegres, muito tristes, preocupados e mesmo ansiosos, não dão conta que acabam rompendo o período de abstinência. A sociedade moderna atingiu um nível de complexidade e algo mais complexo que isso, de especificidade, que muitos não dão conta. Não porque são menos que os outros, mas porque são diferentes da estrutura que a sociedade criada espera deles. No passado e ainda hoje por algumas seitas as drogas são utilizadas em cerimonias religiosas para colocar o ser humano em contato com uma divindade, que seja...

Finge que é atendido que eu finjo que te atendo

Muitos profissionais da assistência, apesar da boa formação teórica, conhecimento da historia da assistência social ainda possuem grande dificuldade de se colocar como agente de efetiva assistência. O ranço assistencialista que ainda existe, toma formas diversas nos atendimentos atuais. A grande dificuldade de sair do próprio centro, dos próprios referenciais para enxergar o sujeito como ele se apresenta com seus próprios valores. Quando estudava psicopatologia na faculdade, a professora Marly, excelente professora, nos contou sobre o mito de Epicurio, um personagem que esticava ou cortava seus hospedes para caber em sua cama. Hoje vejo muitos profissionais ao atender, deformando seus usuários para encaixarem eles em seus encaminhamentos. Não estou dizendo que exista má fé desses profissionais. Alias Epicurio era uma pessoa muito generosa a sua maneira pelo que sei. Falta talvez um senso crítico e uma disponibilidade empática capaz de romper a barreira das individualidades. O efeito co...

Entrevista para a Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Campinas Sobre Pessoas em Situação de Rua e Drogas

As drogas e os moradores de rua O frio bate no corpo. A solidão anseia por uma companhia. A palavra se cala e o sono se perde. Acorrentados pelo vício das drogas, sejam elas licitas ou ilícitas, moradores de rua as usam frequentemente para saciar a sede de humanidade. Longe da família, sem grandes amigos e muitas vezes distantes desse mundo, moradores de rua tem acesso fácil as drogas. Os efeitos refletem no corpo, e somados a má e pouca alimentação causam danos, muitas vezes, irreparáveis. Em conversa com o psicólogo clínico social formado pela PUC-Campinas, Leonardo Duart Bastos, algumas características da relação dos moradores de rua com as drogas nos é apresentado. Leonardo trabalha na Cáritas Arquidiocesana de Campinas, no Projeto da Casa António Fernando dos Santos. Uma casa transitória para pessoas que estavam em situação de rua e estão procurando o resgate da cidadania e a reinserção social. Entre outras atividades, Leonardo d...